Estudo sobre João Batista por Pr Silvio Duque

Este estudo foi ministrado na PIB de Jardim Alcântara pelo Pr Silvio Duque em 19/08/2010


Muitos personagens bíblicos são admirados e comentados; nem sempre é o caso de João batista. João é pouco conhecido e estudado pelos cristãos de modo geral, mas tem muito em riqueza e conteúdo.


Texto Bíblico: Mateus 3.1-17

O primeiro nome, João, vem do hebraico ‘Yohãnãn’ que significa Deus teve misericórdia; e Batista pelo fato de batizar, ou ser batizador.

João nasceu após longo tempo de silêncio profético; ou seja, por mais de 400 anos nenhum profeta ‘oficial’ se levantara da parte do Senhor. Esse período é chamado de ‘inter-bíblico’ – quatro séculos que separam o A. Testamento do N. Testamento.

Esse período passa a ser registrado um século após o período de Neemias, quando os persas dominam a Judéia. Nessa época o sacerdócio vira uma função política. Além do mais, os judeus ficam no meio de um ‘fogo cruzado’ entre os persas e egípcios, que lutavam para dominar as terras de Israel.

Em 333 a.C. aparece Alexandre o grande e domina a palestina. Após sua morte Ptolomeu passa a governar a Judéia. Foi nessa fase que houve a tradução do A. Testamento para o grego. Essa tradução chamou-se ‘Septuaginta’ porque foram 70 pessoas no trabalho.

Um século depois, os Selêucidas conquistam a Síria e a Palestina, instituindo cultos a ídolos como Hércules e Júpiter. Para afrontar a religião dos judeus, ofereceram uma porca em holocausto no templo. Com certeza foi uma grande ofensa, visto que os porcos eram considerados impuros para sacrifícios.

No entanto, só em 164 a.C. que os judeus promovem uma rebelião por meio de Judas macabeus. Conseguem a reconquista de Jerusalém, além de purificar o templo e o retorno dos sacrifícios diários. Porém, os conflitos entre Selêucidas e Macabeus duraram mais 20 anos.

Até que finalmente os israelitas têm mais um dominador: os romanos. Sob o domínio cruel de Herodes.

Com tanta confusão e influência de vários impérios, a religiosidade e a espiritualidade dos judeus são afetados radicalmente. Essas intervenções externas produziram 2 grupos distintos: a) Influenciados (Gente que aceitou novas idéias vindas dos gregos); e b) Radicais (comunidades separadas que resistiram a essas influências).

Entre eles estão os essênios – Eles se retiravam da sociedade, davam atenção à oração e estudo das escrituras. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por serem piedosos. Eram contrários a escravidão e a guerra. Estudos revelam que os membros dessas comunidades haviam abandonado influências corruptas das cidades judaicas, pra prepararem, no deserto, o ‘caminho do Senhor’.

Os essênios viveram entre 150 a.C. à 70 d.C. – Flávio Josefo acreditava existir em torno de 4000 essênios. João Batista era considerado um essênio por muitos estudiosos.

Foi dentro desse cenário eclético e confuso que Deus põe João Batista no cenário judaico para que preparasse o coração do povo para a chegada do messias. Podemos dizer que o mundo naquela época estava de ‘cabeça para baixo’.

E contextualizando para nossos dias, as coisas também estão muito difíceis. Tempo de religiosidade vazia e insegurança espiritual na vida da comunidade cristã.

Creio que os adolescentes, daqui no máximo a 6 a 8 anos terão nas mãos o ‘leme’ da igreja de Cristo. Serão os futuros líderes e precisarão de uma referência para combater todo movimento contrário àquilo que o Senhor ensinou.

Podemos aprender algumas coisas com João Batista, o homem do deserto, coisas preciosas da parte de Deus para vivermos espiritualmente em tempos tão turbulentos.

A primeira coisa que aprendemos com João Batista é que

Nascemos e existimos para uma missão específica

Nenhum de nós é um acidente ou obra do acaso. Não estamos no mundo à passeio.

João Batista foi sonhado muito tempo antes de nascer para uma missão – Veja Isaias 40.3. O texto narra uma profecia sobre João, que viria preparar o caminho para o Senhor Jesus.

Mas será que João sabia da missão que tinha? Ao lermos João 1.21-23 descobrimos que sim. Ao ser indagado sobre quem seria ele afirmou ser a voz que clama no deserto. João conhecia sua missão.

Devemos ser aquilo para que nascemos! Você também nasceu e existe para uma missão divina.

O próprio Jesus, aos 12 anos, questiona acerca da missão que tinha na terra. Ao ser questionado por seus pais, que estranharam seu sumiço após o retorno para casa, ele argumenta: “Vocês não sabiam que eu deveria estar tratando das coisas de meu Pai?”.

Jesus viveu por uma missão!
E gente que nasce para uma missão como JB (João Batista) apresenta uma outra característica:

Autenticidade

A sociedade e a mídia impõem regras, modas e comportamentos a cada indivíduo. Somos manipulados a termos um jeito de ser que agrade a todos. Muitos preferem aderir ao fingimento e a falsidade; a pagar o preço de ser autêntico.

Nosso estilo acaba não sendo genuíno, mas importado, vindo de outros. Ser hipócrita é uma condição imposta para todos que querem ser bem sucedidos no planeta.

João recusou ser manipulado – foi autêntico e a Bíblia mostra isso em Mateus 3.4-8.

Andou fora da moda, pois cinto de couro já não era usado no primeiro século, mas João decidiu ser ele mesmo. Vestia-se como sentia a vontade e não pela pressão da moda atual. (v.3).

Além disso sua dieta era esquisita e aparentemente ‘nojenta’ a base de gafanhotos (v.4). João não se condicionava ao cardápio das grandes empresas de fast food. Gostava mesmo era de mel e alimentou-se disso.

Enquanto muitos aderem as grandes cidades, desejando usufruir do ‘conforto’ e de suas facilidades; João preferia o deserto. Lá era o seu lugar preferido e condicionou seu ministério ali. Apesar de andar por toda a região da Judéia; muitos das cidades foram visitá-lo no seu ‘habitat’.

João foi autêntico no que pensava e no que falava, deixou claro isso quando chamou os fariseus de “raça de víboras”; ou seja, atraentes por fora, mas venenosos por dentro. João combatia veementemente a hipocrisia religiosa.

João nunca se deixou seduzir pelo secularismo e suas injustiças. Muitos adolescentes e jovens que nasceram no ambiente da igreja são nessa idade seduzidos a querer provar ‘tudo que é oferecido lá fora’. Com JB não!

Augusto Cury cita esse perfil de JB em seu livro O mestre inesquecível e:
“João cresceu fora do sistema social mundano. Não estava contaminado com as vaidades, arrogância e injustiças desse sistema. Quando veio para o sistema, ele o condenou”.

A terceira coisa que aprendemos com João é:

Pôr Jesus no centro de nossa vida

Hoje, as pessoas têm seus próprios focos, alvos, sonhos. A sociedade está cada vez mais ‘independente’ e isso é perigoso.

Os muitos projetos pessoais que as pessoas têm, tem lhes tirado algo precioso: Deus. Muitos cristãos, inclusive, põem namoros, noivados, amigos, família, profissão e muitas outras coisas à frente de suas vidas.

Jesus tem deixado de ser a prioridade, a pessoa principal de suas vidas; deixando-as, porém, frustradas, nervosas, tristes e perdidas.

Com JB era diferente. Ele estava disposto a anular-se para ser obediente ao Senhor Jesus. Essa obediência tem um nome que tem sido banalizado em nossos dias: discípulo.

JB prova ter posto Jesus no centro de sua vida quando diz: “É sobre Ele (Jesus) que eu falei: aquele que vem depois de mim está acima de mim, pois já existia antes de mim”. (João 1.15).

A frase “... está acima de mim...” no grego é o mesmo que ‘Passou a minha frente’. Significa que JB colocou Jesus a sua frente a fim de segui-lo. Em outro momento João disse: “Que Ele cresça e eu diminua”.

O mundo está precisando de cristãos que põem Jesus no centro, como foco principal.

Em quarto lugar aprendemos com João que:

Devemos viver em santidade e denunciar o pecado.

O deserto foi tanto um chamado quanto uma escolha, e João usufruiu daquele ambiente para crescer espiritualmente num profundo, vivo e intenso relacionamento com Deus.

Ser santo é ‘separar-se do pecado’. Deus é santo e quer que seus filhos também o sejam. Santidade é um processo onde nos purificamos diariamente. João retirava-se do alvoroço e da confusão da cidade para estar com Deus.

Lutar contra o pecado era o que JB fazia e que devemos fazer também. Não é fácil, pois a pressão é muito grande, por isso o mestre nos ensinou a orar para não entrarmos em tentação.

João não era muito bem visto por um determinado grupo de pessoas: os que se deleitavam no erro do pecado. João os denunciava e falava de assuntos que as pessoas ainda hoje não querem ouvir, e uma dessas palavras é ‘arrependimento’. Esse era o foco de sua mensagem.

Em Mateus 14.1-12 o vemos fazendo uma denúncia ao pecado de Herodes (v.4). Por isso foi confinado na prisão (v.3), até que o levou a morte (v.11). João não só estava disposto a viver pela missão que recebeu; mas também a morrer pelo que cria.

Não podemos deixar as pessoas continuarem a viver no erro do pecado sem alertá-las. Devemos, com amor, dizer-lhes que estão errando o caminho, que têm desagradado ao criador e afastando-se dele com as atitudes sujas e pecaminosas.

A denúncia que JB fazia em suas mensagens levava as pessoas a perguntarem: “O que faremos?” (Lucas 3.10). Não devemos só alertá-las quanto a vida errada que levam, mas dizer-lhes o que fazer de acordo com a palavra de Deus.

João pregou sobre uma sociedade mais justa (Lc. 3.11), por honestidade e ética (Luc. 3.12) e pela prática da bondade entre as pessoas (Luc. 3.14). Infelizmente, os próprios cristãos estão quebrando essas regras bíblicas, então, como cobrá-las da sociedade?

Outra coisa muito preciosa que aprendo com JB é:

Buscar honra de Deus

Você concorda que as pessoas hoje estão buscando status, promoções, reconhecimentos públicos, vantagens? Vê que uma quantidade cada vez maior de gente está disposta a passar por cima das outras a fim de ter o que querem. Percebe que o ser humano tem se desumanizado dando mais crédito a coisas do que pessoas.

O sucesso tem subido a cabeça das pessoas e o ‘sonho americano’ tornou-se um pesadelo a ser perseguido ainda que não preencha os nossos vazios. Poucos aceitam a idéia de viver uma vida simples, sem luxos, porém feliz.

JB não se deixou levar ou influenciar com honras humanas e ‘tapinhas nas costas’. Sabia que tudo era coisa passageira. As pessoas no dia seguinte esquecem o que você fez de bom por elas. Basta lembrar do Ronaldo, o fenômeno. Num ano deu ao Brasil um título de copa do mundo, sendo artilheiro da competição. Chegou ovacionado ao Brasil e valorizado no exterior; mas hoje é motivo de chacota e brincadeira. Hoje ele é o ‘gordo’.

JB preferiu a honra que vem de cima, o reconhecimento que não falha. Nenhum homem nesse planeta recebeu uma palavra de apreço e elogio tão grande quanto João recebeu de Jesus. Leia Lc. 7.24-35 e veja por você mesmo o que é ser honrado diretamente por Deus.

Ainda que as pessoas que amamos e servimos não nos valorize e não reconheça o nosso valor, não se decepcione, há um Deus no céu que nos honra tanto neste tempo quanto no mundo vindouro.

João Batista ainda tem muita coisa para nos ensinar quanto a viver num mundo de cabeça para baixo, cheio de confusões, doenças, hipocrisias. Mas esses exemplos devem marcar nossas vidas.

Pr Silvio dos Santos Duque

Comentários

  1. Olá irmão

    Vim agradecer a visita e comentário...

    gostei do Blog e estou seguindo...


    Na fé,

    Uma Visão da Verdade - Diego Oliveira

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  2. A paz....que mensagem abençoada e atual para a igreja deste tempo...igreja esta com valores invertidos...
    Que DEUS continue a te usar com graça....
    Mis.Jacqueline

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    1. Muito obrigado pela visita ao Blog, irmã.
      Esse estudo realmente é abençoador.
      Se quiser faça uma visita ao Blog do Pr. Silvio (que fez o estudo)
      http://silvioduque.blogspot.com.br/
      Volte sempre.
      Graça e paz!

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